Xavante luta até o final e saí de cabeça em pé do Gauchão


Vivemos até essa noite uma linda jornada de reencontro. Porque, uns meses atrás, circunstâncias insistiam em nos empurrar para longe daquele Brasil que mora em nosso peito. Primeiro, o silêncio se instaurou na Baixada, esvaziada em meio aos sacrifícios que tivemos de fazer para seguir respirando. Depois, por razões que não vem ao caso discutir numa hora dessas, sobreveio o fracasso esportivo.

Se aquele mofo existencial parece agora distante, foi porque o que se fez de novembro para cá nos despertou para quem realmente somos. O Brasil é o clube que, num domingo, nos faz sair da cama sem capacidade mental de pensar em outra coisa. É um desassossego tão grande, mas tão grande, que só se abranda no pagode ali às voltas da Princesa Isabel.

Quando joga com a alma, mesmo que à tardinha, nos arruina a madrugada de sono. Quem dorme o sono dos justos depois de se embriagar de orgulho? O Xavante, quando se farda de dignidade, cria uma corrente eletrizante de afeto: a gente lembra de quem está distante, sente saudade e gratidão pelos que se foram, experimenta uma comunhão que não se diz em palavras, até porque não precisa. A mística se expressa por si mesma.

O que houve em Erechim soou como uma cuia que ronca na primeira tragada. Por pelos menos duas vezes o calor redentor do mate esteve perto, mas escapou. É do esporte. Num jogo eliminatório, só um passa. Quem fica, do jeito que ficamos, não pode se sentir perdedor.

Vamos cuidar do Marllon, nosso 10. Sem ele não haveria Erechim. Vamos cuidar dos nossos meninos, agradecer ao Jerson. Sem eles, não haveria esse reencontro em tão pouco tempo. O que vivemos, no Brasil que mora em nosso peito, tem muito valor. Quiçá, é o que realmente importa.

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